quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

As Artes e de onde vem essa vontade de conhecer o mundo

Eu não sei quanto a vocês, mas eu sei exatamente como surgiu a minha vontade de sair vendo as cores do mundo: aos 6 anos, minha mãe falou que ia passar A Noviça Rebelde na TV, um filme que ela tinha assistido quando criança e que era um dos preferidos dela. Ela me falou sobre as crianças cantantes e eu fui ficando encantada. Disse também que elas precisaram se esconder em um cemitério, e aí eu fiquei com medo. Não queria ver o filme porque eu tinha medo de cemitérios. Só que ela me prometeu que eu não me assustaria e que amaria assistir com ela. Promessa cumprida, A Noviça Rebelde se tornou o filme da minha infância e moldou a minha vida e gostos em muitos pontos.

A partir do filme eu passei a me interessar pela Segunda Guerra Mundial, passei a ler tudo sobre o Holocausto e estudei alemão (só o básico, que eu já não lembro quase nada). E sonhei em viajar para a Áustria e Salzburg. Demais. Comecei a perder meus olhos sobre a Áustria nos mapas, e o olhar se expandiu para os outros lugares. Eu não queria mais conhecer só a Áustria, queria conhecer todos aqueles formatos de países, todas aquelas palavras que davam nomes às cidades. Por isso, não tenho dúvidas: A Noviça Rebelde foi a sementinha que fez brotar o meu espírito viajante!

E desde então as artes têm influenciado as minhas viagens. Nem sempre unicamente decisivas para a escolha do destino, mas sempre com algum peso, sendo uma atração. Por exemplo, ir a Buenos Aires se tornou mais interessante depois dos filmes do Ricardo Darin e do Juan José Campanella. Mendoza se tornou mágica ao som da Mercedes Sosa ("para quien lo ha vivido en Mendoza otoño son cosas que inventó el amor"), especialmente porque fui no outono e ele pareceu de fato uma criação do amor. Li as ladeiras de Valparaíso nas palavras do Neruda e da Isabel Allende. Sonhei no Café Deux Moulins que nem a Amélie. Corri por Berlim como a Lola. Subi as escadas do Museu de Arte da Filadélfia que nem o Rocky. Vi a música do álbum Physical graffiti no prédio da St. Mark's Place (NY). Viajei nas paisagens da Terra Média da Nova Zelândia. Refleti na Praga do Kafka (e preciso voltar pra cidade com o olhar do Kundera, lido só depois). Fiz tantas coisas influenciada por livros, filmes e músicas, e quero fazer muito mais!

Quero me enterrar nas areias de Acapulco que nem a Turma do Chaves e me perder na Nápoles da Elena Ferrante, por exemplo. 

É impressionante como as Artes nos fazem viajar, tanto nas reflexões e pensamentos, quanto nos deslocando fisicamente (e mentalmente) para lugares diferentes do nosso. Apresentam o mundo ao nosso olhar e, assim, nos convidam a desbravá-lo. E eu quero continuar pisando nessas terras que leio, vejo e ouço.

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